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jan 28 2013

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Comunicado de emergência do povo Kiriri Canta Galo

A nação Kiriri vem por meio deste representante, Manoel Cristovam Batista, cacique do povo Kiriri, decretar estado de emergência, da situação caótica que vem acontecendo em nosso território e região do semiárido Nordeste II, motivo esse que nos leva a situação de calamidade aos povos Kiriri e Tuxá, município de Banzaê, Kaimbé Massacará, município de Euclides da Cunha e Toca do Cru, município de Quijingue. Nos últimos três anos (2010, 2011 e 2012) sofrendo com longas estiagens, e nos períodos de plantio de feijão e milho não tiveram safra, motivo esse que se agravou nos decorrentes meses afetando também a safra da castanha. Portanto, a situação em 2013 chega em estado de emergência precária; Lagoas secas, tanques, barreiros, barragens, cisternas e açudes da região secaram, até as nascentes naturais (que chamamos de minadores) também estão secando. A preocupação dos povos indígenas vendo tudo se acabando por falta de alimentações e escassez de chuvas, as criações de animais morrendo de forme e sede, jovens sendo obrigados a sair de suas aldeias deixando suas famílias, seus costumes e tradições em busca de oportunidades em outras regiões do pais. Os programas que foram implantados pelo governo Federal e Estadual, não estão sendo suficientes para atender todas essas demandas causadas pela seca.

Sabemos que o governo Federal e governo Estadual investiram R$ 15 milhões de reais em perfurações de poços artesianos de alta vazão na região, entre eles alguns foram perfurados no município de Banzaê e que essas vazões de água não vieram a contemplar aos povos indígenas dessa região. Se o governo tivesse investido pelo menos parte dessa vazão para irrigação da agricultura familiar nas terras indígenas, talvez não estivesse nessa situação. Somos uma população de 5.200 (cinco mil e duzentos) indígenas em situação critica na região.

O povo Kiriri, reunidos no dia 07 e 08 de janeiro de 2013, na aldeia Canta Galo, pautaram o seguinte assunto: perfuração de poços artesianos de alta vasão para irrigação da agricultura família e consumo na agropecuária coletiva e individual. A irrigação é um dos mecanismos fundamentais ao desenvolvimento sustentável que é uma atividade praticada pelos povos indígenas.

Diante das situações que se encontra, somos obrigados a pedir soluções imediatas para resolver os problemas causados pela seca. Enquanto a chuva não chega à nossa região e as perfurações dos poços artesianos não acontece, para amenizar o sofrimento de nossos índios e dos animais, pedimos urgentemente cestas básicas para as famílias indígenas.

Ao Sr. coordenador geral Adenilton de Oliveira Santos do MUPOIBA

Atenciosamente,

Povo Kiriri Canta Galo, representante Manoel Cristovam Batista (Cacique)

Fonte: Barca das Letras

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