A xavante Ro’otsitsina Juruna e Alfredo Wapixana.

Convênio entre SEPPIR e universidade aproxima academia dos povos tradicionais e amplia possibilidades de desenvolvimento sustentável das comunidades

Uma turma de 26 novos mestres formados pela Universidade de Brasília (UnB) vai defender sua dissertação no próximo dia 29 de janeiro, 19h, no Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB, campus Darcy Ribeiro (Asa Norte), em Brasília (DF). Do grupo de estudantes, formado por profissionais graduados em áreas como Educação, Pedagogia e Saúde, 14 são provenientes de 13 comunidades indígenas de etnias diferentes. Eles vão apresentar a conclusão do processo iniciado com o convênio entre a universidade e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) em 2011.

A secretária de Políticas de Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio, ressalta os aspectos produtivos da parceria. “O grande destaque do convênio é o olhar para o desenvolvimento territorial considerando as especificidades culturais dos povos indígenas”, afirma. “A UnB se permitiu um diálogo intercultural respeitoso, o que fez com que não tivéssemos um curso meramente acadêmico. Foi um diálogo de igual para igual, com respeito aos conhecimentos e tradições preservados pela população indígena. Mestres indígenas participaram do corpo docente. Temos grande interesse em continuar este projeto, inclusive já tivemos um primeiro diálogo com os coordenadores, no sentido que a próxima edição tenha uma abrangência maior, incluindo também outros povos tradicionais”, completou.

O coordenador do curso, Othon Leonardo, destacou a relevância da iniciativa: “O acervo do saber viver com a natureza, as soluções da vida indígena, povos que estão aí há 13 milênios, são um patrimônio imaterial de valor incalculável que o Brasil tem”. Os novos mestres terão papel preponderante na interlocução com os entes federados, um papel político importante, que abrange o planejamento do uso dos recursos culturais e naturais de suas comunidades e a promoção de atividades para geração de renda, com vistas a afastar as comunidades da situação de insegurança alimentar.

A convergência entre os temas trabalhados e as inserções institucionais dos mestrandos indígenas foi um aspecto destacado pela professora Mônica Nogueira, coordenadora pedagógica do mestrado. “Boa parte deles resolveu abordar temas que fazem parte do cotidiano desses povos, sempre sob a ótica do desenvolvimento sustentável. O mestrado é uma possibilidade de iniciar um processo de construção de novas epistemologias, que permitam diminuir esse quadro de assimetria do poder entre as sociedades indígenas e a sociedade envolvente”, explicou.

A assistente social indígena Ro’otsitsina Juruna optou trabalhar com o tema “Sabedoria Ancestral em Movimento: perspectivas para a sustentabilidade”. Ela, que integra a Coordenação Nacional da Juventude Indígena e é filha do ex-deputado federal Mário Juruna, comenta a importância de ter feito o mestrado. “A troca de saberes com representantes de outros povos indígenas foi um aspecto importante nas discussões sobre direitos e valorização da cultura”, afirmou.

O geógrafo Rodrigo Martins, que não é indígena e trabalha no Serviço Florestal Brasileiro, também se diz beneficiado pela experiência direta que o mestrado proporcionou. “As cotas são só uma ponta. É preciso ampliar a experiência. A gente vê muito o Brasil de frente para o mar e de costas para o interior, que é onde os indígenas foram se refugiar. Eles falam vários idiomas, são de etnias diferentes. A diversidade cultural indígena não é algo do passado, é algo que está no presente do Brasil”, declarou ele, que se debruçou sobre o mapeamento dos povos indígenas no país.

SERVIÇO

O quê: Conclusão do mestrado profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Indígenas, resultado de parceria entre a SEPPIR e a UnB.
Quando: 29 de janeiro, terça-feira, 19h.
Onde: Campus Darcy Ribeiro, Brasília (DF).

Fonte: SEPPIR

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