A situação é grave na terra indígena Governador, em Amarante do Maranhão. Lideranças indígenas do Povo Pukobjê-Gavião denunciam que madeireiros voltaram a invadir a área na manhã do dia 20, após a saída da Polícia Federal.

Na noite do dia 20, os indígenas realizaram mais uma operação de combate à invasão dos madeireiros: “Ficamos até uma e meia da manhã esperando os madeireiros, mas eles saíram por uma das estradas que vai ao povoado do centro do Zeca. Nossa área está cheia de estradas clandestinas. Elas estão sendo usadas pelos madeireiros”.

Como última tentativa de impedir a invasão às suas terras, as lideranças indígenas estão falando em montar barreiras para impedir a entrada dos madeireiros: “Não vamos aceitar mais a presença dos madeireiros invadindo nosso território. Estamos dispostos a dar nossa vida para tirar madeireiro de dentro de nosso território”.

Ameaças e intimidações indígenas continuam

A comunidade está desprotegida e com muito medo. Na noite do dia 19, madeireiros novamente cortaram a energia, desta vez da Aldeia Nova, e colocaram tábuas cheias de pregos na estrada próxima à entrada da aldeia. A comunidade tem solicitado providências aos órgãos competentes, visto que a aldeia está às escuras.

Em represália à fiscalização e apreensão de caminhões e de um trator dentro de território indígena, alguns comerciantes de Amarante do Maranhão ligados aos madeireiros se recusam a vender alimentos aos indígenas, embora muito destes estejam de posse de cartões de aposentadoria e/ou Bolsa Família dos indígenas.

Caciques vêm recebendo ligações anônimas diariamente com ameaças de morte e avisos de que as aldeias serão invadidas a qualquer momento. Indígenas têm sido constrangidos a não sair de suas aldeias: “Não quero ver a cara de índio na cidade de Amarante”.

Mesmo diante de todas as ameaças, o povo Gavião está determinado a defender seu território: “O nosso objetivo é de defender terra indígena Governador. Todos os madeireiros foram avisados, não foi por falta de aviso”.

A invasão dos territórios indígenas é uma realidade cotidiana no município de Amarante do Maranhão, bem como em todas as terras indígenas no Estado. Os povos Tentehar/Guajajara, Krikati e os Pukobjê-Gavião têm denunciado invasões desde 2011. Segundo Thaís Dias Gonçalves, Coordenadora Geral de Monitoramento Territorial da Funai, é no Maranhão onde a Funai encontra os maiores problemas para proteger as terras indígenas: “Das 20 áreas mais desmatadas em 2011, cinco eram no Maranhão” (O Globo, 29/12/2012).

A situação de invasão dos territórios dos povos indígenas demonstra a falta de um plano de vigilância por parte dos órgãos responsáveis em proteger os territórios indígenas.

O Cimi chama a atenção do Governo Federal para que assuma sua responsabilidade constitucional e tome as iniciativas cabíveis e necessárias para proteger a terra indígena Governador das invasões, bem como promova a imediata proteção física ao povo Gavião, vítima de ameaças, violências e violações de direitos, por parte de madeireiros e comerciantes locais.

Fonte: CIMI / MA

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