Por Gilderlan Rodrigues da Silva

A situação de invasão do território Governador, do povo indígena Pukobjê-Gavião, tem sua origem nos anos 50, quando estes quase foram dizimados por uma epidemia de gripe provocada pelos não índios, invasores, vindo das mais variadas regiões do Brasil.

Os sobreviventes dessa epidemia juntaram-se em uma única aldeia, a Governador. O território, quando demarcado, recebeu o mesmo nome.

O ponto alto das invasões do território dos Pukobjê-Gavião deu-se durante o governo do então presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela abertura da estrada Belém-Brasília, que consequentemente atraiu fazendeiros da região sudeste (São Paulo e Minas Gerais) para a terra indígena.

Essa invasão do território indígena fez com que os Pukobjê-Gavião perdessem sua paz, como aconteceu em 1976, quando a aldeia foi atacada por fazendeiros, destruindo as casas dos indígenas com fogo. Durante o ataque, indígenas fugiram para a aldeia Governador, onde viveram por muitos anos.

Mesmo com a demarcação do território Pukobjê-Gavião em 1982, os problemas de invasão não cessaram e persistem em tempos atuais. Tanto que as lideranças indígenas prenderam na tarde de ontem, 13, quatro caminhões e um trator que tiravam madeira ilegalmente de seu território.

Os caminhões e o trator foram levados para a aldeia Governador. Os indígenas solicitam urgentemente a presença de representantes da Funai e da Polícia Federal. Os mesmos temem que aconteçam novos conflitos com os madeireiros por conta das ameças que estão recebendo por parte destes, proprietários dos caminhões.

Os indígenas ressaltam que a ação foi realizada por conta das constantes invasões e que não suportam mais ver os recursos de seu território serem explorados cotidianamente.

Na defesa de seu habitat, os indígenas continuam enfrentando invasões de aldeias, como a que aconteceu em 2010, quando 40 madeireiros invadiram a aldeia Rubiácea para retirar apreendidos naquela ocasião.

Vale ressaltar que a terra indígena Governador está passando por um processo de nova demarcação, e que, portanto, a mesma deveria estar livre da ação dos madeireiros de outros fatores que vão de encontro aos direitos dos povos indígenas.

Acredita-se que a luta dos povos indígenas, em particular o povo Pukobjê-Gavião, ainda durará mais algum tempo, caso não seja implementada uma política de proteção do território Governador. Enquanto isso não acontece, veremos os indígenas organizando-se para enfrentar aqueles que destroem seu território.

Fonte: CIMI-MA

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