Lagoa Encantada e os Jenipapo-Kanindé (Foto: Melquíades Júnior)

Por Eliomar de Lima

Será nesta terça-feira, às 10h30min, no Juizado Especial da Fa7, o julgamento do processo que o Grupo Ypióca move contra o jornalista Daniel Fonseca, que denunciou agressões ambientais. O processo, hoje da responsabilidade da Agropaulo Agroindustrial S.A, antiga proprietária da Ypióca, acusa o jornalista de injúria, calúnia e difamação por se manifestar em defesa dos direitos dos índios Jenipapo-Kanindé e da preservação da Lagoa da Encantada, em Aquiraz. À época, ele e o professor Jeovah Meireles (UFC) foram interpelados e, depois, processados pela empresa por declarações feitas, respectivamente, em seminário e em artigo que, segundo acusados, não chegou a ser publicado.

A Ypióca acusa o jornalista de ter redigido uma nota de solidariedade a si mesmo e ao professor Jeovah Meireles (ver aqui), que, de acordo com o autor, foi produzida coletivamente e que teve mais de 300 signatários (as), entre entidades e pessoas físicas. A queixa-crime foi aceita e mantém-se nos últimos cinco anos.

O Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos acompanha o caso.

Fonte: Blog do Eliomar

Nota Índios no Nordeste: Notícia atualizada em 09/11/12, às 16h

1 Comentário em “Processo que Agropaulo Industrial, antiga dona da Ypióca, move contra jornalista vai a julgamento

  1. E como sempre a tal da (in)justiça tem que funcionar só para elas(es)!! Cadê as nossas jurisdições indígenas (nativas)? Quem nos defende mesmo? Vixe tô pra ver os nossos direitos indígenas garantidos!!

    Trancafiam nossas terras, nossos modos de vidas, nossas cosmovisões, nossas sabedorias ancestrais, nossas liberdades epistêmicas e corpóreas, nossos espaços de danças e ritos e mitos, nossas formas de lidar com a natureza. nossos espaços/ tempos e formas de lidar com o tempo climático e da terra enfim nos retiram daquilo que nos é mais sagrado e nos transformam em verdadeiras(os) travestis ” ‘as avessas” nas escolas ocidentais com pretensões universais detalhe: travestis “escolhem” tal caminho nós ao contrário, não sabemos que quando crianças estão impondo aquilo que há de mais perverso nessa posição capitalística de mundo em nossas subjetividades enfim valores que não são os nossos mas que temos que desfilar por aí como se o fossem. Se nos apropriamos da dita tal (in)modernidade hoje é justamente para nos defender!! Depois vem falar que os povos indígenas tem “escolhas”. Botem muitas mas muitas mas muitas mesmo…trocentas aspas quando forem falar que os povos indígenas tem “escolhas”. Depois vem falar que toda cultura é dinâmica. Lógico que é mas quando tem um monte de armas, prisões de todos os lados, leis cristãs falando o que você é ou deixou de ser, uma maquinaria perversa querendo te esmagar e te reduzir à espaços de confinamentos (aldeias, reservas, prisões, internatos, etc) onde há dinamicidade nisso? Quero ver eu dirigir um carro, utilizar um computador, usar óculos e continuar nua. Ouve dinamicidade e apropriações não ouve? Mas quero continuar com meu corpo pagão!! Pagão no sentido que não querer essa mitologia impositiva de outro continente que não é de nossos povos nativos, pois, nós temos nossas espiritualidades, mitos e divindades que nos protegem desde sempre. Primeiro libertem nossas terras!!! Deixem-nos viver ao menos em algum espaço nossas culturas já que não querem devolver nossas terras e a nossa educação indígena e vai passar gerações e com certeza não devolverão. Depois de libertas as nossas terras aí sim podemos correr como outrora desfilando e se apropriando da (in)modernidade aos nossos modos e não moldes de valores cristãos às avessas e às perversas.
    São inúmeras as formas de nos deslegitimar afinal A DEMOCRACIA TEM MEDO DE RECORDAR!!! que para ser democracia tem que ter as muito mais de mil e duzentas nações indígenas (nativas) nisso que chamam brasil, fora as outras do continente toda elas com representatividade nessa coisa monstruosa que chamam congresso. E já que trouxeram às amarras os povos negros que para ser democracia também tem que ter as nações negras e outras também com suas jurisdições, religiões, cosmovisões, conhecimentos e principalmente práticas pedagógicas reais (e não fantasiosas) que contemplem todas elas. Será que cabe?Quando será que vai caber? Se é que vai caber!! Já que elegeram uma única visão de mundo como universal e “normal no plano da realidade” que todas as outras também o sejam e por favor devolvam nossas terras!!! Lá e somente lá poderemos viver as nossas indianidades (não cristianizadas ou cristalizadas) mas dinâmicas aos nossos modos e sem ver milhares de pedras vindo em nossas direções!! Claro que tudo isso vai ter que ser um longo e penoso processo e (re)construções e produções!!

    E viva as nossas culturas nativas!! Se estamos hoje abandonadas(os) é por esse mar de subjetividades colonizadoras que nos rodeiam mas com certeza as nossas lutas tem que continuar mesmo que pareçam perdidas!!!

    Força parentes e pessoas sensíveis as nossas causas

    Marleide Quixelô

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